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domingo, 18 de junho de 2017

Moléculas orgânicas foram detectadas no planeta anão Ceres

Quem diria, há alguns anos, que um objeto parecido com Ceres poderia ter os blocos primordiais da vida?

O planeta anão Ceres está se tornando cada vez mais um mundo interessantíssimo de se observar. Recentemente, os cientistas revelaram uma das descobertas mais incríveis até agora: Ceres possui os ingredientes necessários para a vida!

Usando dados do espectrômetro VIMS, da sonda Dawn, um grupo de cientistas confirmou a existência de moléculas orgânicas em Ceres, o que indica que o planeta anão poderia ter as condições favoráveis para a vida.

Imagem composta realçada do mapa registrado pelo espectrômetro da sonda Dawn
mostra a região próxima da Cratera de Ernunet.
Créditos: NASA / JPL-Caltech / UCLA / ASI / INAF

Os resultados do estudo, liderado por Maria Cristina de Sanctis, do Instituto Nacional de Astrofísica de Roma, Itália, foram apresentados na revista Science, e mostra como o sensor da sonda Dawn detectou a presença de compostos alifáticos em sua superfície.

Os alifáticos são um tipo de composto orgânico onde átomos de carbono formam cadeias abertas que são comumente ligadas com oxigênio, nitrogênio, enxofre e cloro. O menos complexo alifático é o metano, que foi detectado em muitos locais ao longo do Sistema Solar - incluindo na atmosfera marciana e na forma líquida e gasosa na lua Titã, de Saturno.


Como consta no estudo, a Dra. Maria Cristina e seus colegas determinaram que os dados espectrais obtidos pelo instrumento VIMS correspondem a presença de hidrocarbonetos em uma região próxima da Cratera de Ernutet. Essa cratera, localizada no hemisfério norte de Ceres tem 52 km de diâmetro. Os compostos alifáticos detectados estavam em uma área de 1.000 metros quadrados, próximo da cratera.

A equipe descartou a possibilidade das moléculas orgânicas terem vindo de fora (através de cometas ou asteroides). Apesar de cometas e asteroides rochosos já serem conhecidos por conter moléculas orgânicas em seu interior, as concentrações detectadas em Ceres se distribuem de forma aleatória e não contínua, mesmo em crateras altamente desgastadas.
Dados obtidos pela sonda Dawn mostram as detecções de compostos orgânicos.
Cores quentes representam maior concentração.
Créditos: NASA / JPL-Caltech / UCLA / ASI / INAF / MPS / DLR / IDA

"A composição que vemos em Ceres é semelhante a alguns meteoritos que têm orgânicos", afirma a Dra. Maria Cristina. "Consideramos a origem endógena (interior) e exógena (exterior), mas a última parece menos provável devido a várias razões, incluindo a maior abundância observada em Ceres se comparada aos meteoritos."


Poderia existir vida em Ceres?

Encontrar compostos orgânicos, que são os blocos principais para a construção da vida, é um fator importante quando o assunto é "hospitalidade". A missão Dawn, lançada em 2007 para estudar Vesta e Ceres (os maiores objetos do Cinturão de Asteroides), já custou cerca de 467 milhões de dólares, mas vem apresentando resultados e descobrindo segredos fantásticos desse pequeno planeta anão. mudando a forma como vemos os corpos menores do Sistema Solar.

Ceres é, depois da Terra, o maior reservatório de água do Sistema Solar interior. E no que diz respeito a energia, Ceres é privilegiado mais uma vez, já que fica a apenas 2,8 Unidades Astronômicas (UA) do Sol (1 Unidade Astronômica equivale a distância média entre a Terra e o Sol). Europa e Encélado, outros dois objetos que podem abrigar algum tipo de vida, estão bem mais longes da nossa estrela, a 5,2 e 9 UAs, respectivamente.
Na imagem (em escala) vemos alguns corpos do Sistema Solar que podem abrigar vida.
Encélado (satélite de Saturno), Ceres, Ganimedes (satélite de Júpiter), Tritão (satélite de Netuno), Titã (satélite de Saturno) e Europa (satélite de Júpiter). No centro temos a Terra para termos uma dimensão melhor desses objetos.
Créditos: divulgação

Juntando tudo, existe sim uma chance de Ceres abrigar algum tipo de vida, e quanto mais os cientistas o observam, mais chances temos de desvendar esse mistério, e descobrir se de fato Ceres possui ou já possuiu alguma forma de vida, seja em sua superfície ou abaixo dela.

Considerando que Ceres teve origem há cerca de 4.5 bilhões de anos, quando o Sistema Solar estava se formando, compreender sua possível habitabilidade é um passo muito importante que pode lançar uma luz sobre a origem, evolução e distribuição de vida em nosso Sistema Solar.


Imagens: (capa-NASA/JPL) / NASA / JPL-Caltech / UCLA / ASI / INAF / MPS / DLR / IDA

Fonte

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