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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Psicólogo se passa por gari durante 8 anos e descobre algo chocante

Viver e se relacionar com as pessoas é uma experiência que traz muito aprendizado para o ser humano.



As pessoas crescem, erram, aprendem coisas, inventam novidades, interagem e promovem uma relação com sentimentos que deixam impressões nas pessoas. A convivência com o ser humano é uma forma de experimentação de si mesmo e do outro que muita gente admira bastante.

A Psicologia é uma ciência que busca estudar o comportamento humano, o que se passa pelos processos de inteligência, emoção, aprendizagem, percepção e sensações.


Um psicólogo social que faz mestrado na USP, Fernando Braga da Costa, vestiu um uniforme do serviço de limpeza e trabalhou como gari, varrendo as ruas da Universidade de São Paulo, por 8 anos, em prol de uma experiência social impressionante:

Ele sempre teve interesse num projeto desta vertente. “Para mim, sempre foi uma situação constrangedora, enigmática. Então, quando surgiu essa oportunidade, eu agarrei e fui agarrado por ela. Eu sempre vivi num bairro de classe média alta, então foi uma coisa que sempre me chamou a atenção.”

O objetivo da experiência era terminar sua tese de mestrado sobre “invisibilidade pública”. Ele exercia as atividades apenas em meio período do dia e optou por não receber o valor pago aos trabalhadores que exercem esta profissão, a importância de R$ 400,00.



No site do instituto de Psicologia da USP, ele publicou a experiência. “Quando comecei o projeto, era uma coisa assim, de denúncia, bem ingênua. Mesmo quando eu questionava as coisas, eu fazia de forma muito pouco estruturada. E a grande modificação, o grande progresso que eu tive em todos esses anos aconteceu quando eu percebi que os fatos já falam por si.”



Numa ocasião em que estava sentado para descansar com alguns companheiros de trabalho, um dos garis disse: “Nossa, Fernando, dá uma olhada para o céu”. Ele olhou para cima: “Estava aquele céu de brigadeiro, como dizem, azulzinho, às 7 da manhã o Sol já ardia”. E o gari completou: “Nossa, o tempo tá ruim, hein?”. Foi então que ele entendeu a relatividade entre os trabalhos “para essas pessoas é tudo tão relativo. Aquele céu azul é maravilhoso para quem está trabalhando dentro do escritório, com ar-condicionado. Mas, para eles, é sinônimo de esforço e desgaste redobrado.”

Ele foi se habituando à medida que o tempo passava, e isso, segundo ele, foi uma das maiores tristezas; habituar-se à inexistência perante a sociedade. “Quando eu via um professor se aproximando, professor meu, até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma ideia, mas o pessoal passava como se estivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.”

“A cada dois minutos escrevendo sobre essa experiência, me são exigidos outros 10 minutos chorando. Eu já tive, várias vezes, de parar de escrever ao lembrar dos fatos, pois é uma experiência emocionalmente carregada.” Ele ressalta no estudo que “as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.”
“Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, frequento a casa deles nas periferias. Eu mudei! Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados piores que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma ‘COISA’. Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida!”, afirma Fernando, na esperança de que o sucesso de sua pesquisa mude um pouco a visão que temos sobre as pessoas que não percebemos mesmo estando bem à nossa frente.
Psicologia / Scribd ] [ Foto: Reprodução / Minuto Psicologia e YouTube ]


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