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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Viagem a Marte pode danificar seu cérebro profundamente, revelam cientistas

Os cientistas já acreditavam que a radiação espacial poderia causar danos cerebrais, mas agora eles têm indícios concretos...


Onde você estava quando os primeiros astronautas pisaram em Marte? A resposta a essa pergunta será lembrada por todos aqueles que estiverem vivos para testemunhar um evento tão histórico, mas os próprios astronautas dessa viagem poderiam ter um grande problema para responder essa questão...

Um novo estudo publicado da revista Nature alerta para a possibilidade do que eles chamam de "space brain" ou "cérebro espacial" em português, que seria um comprometimento cognitivo ou mesmo demência, como resultado da radiação cósmica que bombardearia o cérebro após um voo espacial prolongado. Além dos diversos danos à saúde que os astronautas já enfrentam, os resultados desse estudo mostram mais um grande perigo que os viajantes espaciais terão de enfrentar numa missão a Marte.

Mas o quê exatamente poderia acontecer com o cérebro de um astronauta após ser bombardeado durante cerca de 2,5 anos, por partículas carregadas altamente energéticas?


A tênue atmosfera de Marte vista pela sonda Viking 1, em 31 de dezembro de 1975.
Créditos: NASA

Exposições prolongadas podem levar a uma série de complicações potenciais, como um considerável "decréscimo de desempenho, déficits de memória, ansiedade, depressão além de prejudicar a tomada de decisões", de acordo com o co-autor Charles Limoli da Universidade da Califórnia - Irvine (UCI).

Para realizar o estudo, uma equipe de radiologistas da UCI expôs roedores a irradiação de partículas carregadas (oxigênio totalmente ionizado e titânio) no Laboratório de Radiação Espacial da NASA. Em seguida, os animais foram submetidos a uma varredura cerebral e uma série de testes comportamentais por 12 ou 24 semanas após a irradiação.

Os cientistas perceberam que mesmo seis meses após a exposição, haviam evidências de inflamação e danos nos neurônios dos cérebros dos roedores. Já no lado comportamental, a equipe notou efeitos prejudiciais da radiação de partículas carregadas, como a "extinção do medo" ou a capacidade do cérebro de suprimir situações estressantes. "Os roedores também demonstraram incapacidade de reações a determinados estímulos desagradáveis que poderiam provocar estresse elevado e ansiedade de forma desvantajosa, como em situações de emergência", disseram os pesquisadores.

Essas condições podem ser claramente problemáticas para os astronautas, não apenas no regresso à Terra, mas também durante a missão espacial", disseram os cientistas. "Deficiências em pontos de funções cognitivas trazem complicações na realização de tarefas complexas ou problemas para tomar decisões sob situações estressantes."

Imagem de divulgação do filme Perdido em Marte, com Matt Damon.
Créditos: 20th Century Fox / divulgação

Uma vez que os problemas do "cérebro espacial" levam apenas meses para mostrar seus sinais, os astronautas deverão ter acesso a medidas preventivas, que podem incluir soluções farmacêuticas ou de engenharia, a fim de proteger os tripulantes dos efeitos nocivos da radiação espacial.



"A exposição à radiação cósmica representa um risco neuro-cognitivo real ,e é potencialmente prejudicial para uma viagem espacial de longa duração", disseram os autores do estudo.

"Nossa exploração a novos mundos não deve ser dificultada pelo medo da exposição à radiação cósmica, mas sim inspirar esforços robustos para avançar nossa compreensão de um problema anteriormente desconhecido."



Imagens: (capa-ilustração/divulgação) / NASA / 20th Century Fox / divulgação
Galeria do Meteorito 

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